Plano de recuperação Covid-19 tem que manter os compromissos ambientais e as poupanças aos consumidores

  • Por Laura Carvalho
  • Publicado um mês atrás

Um futuro resiliente requer uma indústria responsável e uma cadeia logística sustentável. Neste artigo, rejeitamos as solicitações de grupos empresariais para suspender as regras ambientais no setor dos eletrodomésticos e aparelhos elétricos e eletrónicos no rescaldo da crise da Covid-19.

O mundo é frágil, mas é possível um futuro melhor. Para enfrentarmos a crise da Covid-19, temos que ter uma visão de sociedade mais forte e resiliente.

A resposta da Europa deve apelar à inclusão económica, inovação e sustentabilidade. Em períodos como este, devemos deixar a ciência e a equidade guiar as nossas ações para proteger as pessoas e o planeta.

Em termos de ação climática e ambiental, isto significa que devemos retomar a partir do ponto onde parámos, pois não nos podemos dar ao luxo de reverter os regulamentos ambientais, cedendo às pressões de alguns grupos empresariais.

Este mês, algumas grandes empresas de tecnologia uniram-se a um número crescente de indústrias e pediram a suspensão ou o adiamento das regras e metas ambientais. Em causa estão as políticas europeias de poupança de energia e redução de resíduos referentes aos produtos do nosso dia-a-dia.

Estas regras, que abrangem desde máquinas de lavar roupa e frigoríficos a pequenos aparelhos eletrónicos, reduzem a nossa fatura energética e, em breve, vão também facilitar a reparação dos nossos aparelhos. Foram delineadas para estimular a inovação tecnológica e a sustentabilidade, reduzindo os custos para famílias e empresas.

E todos ficam a ganhar? Não, de acordo com os lobistas que se estão a aproveitar da situação para escrever à Comissão Europeia. A Digital Europe, um poderoso grupo de lóbi que representa a Apple e outros gigantes da tecnologia, já pediu para que fosse adiada a "nova conformidade de produtos de TIC". Não é claro o que isto significa, mas muitos temem que se refiram aos recentemente aprovados requisitos de conceção ecológica, que, a partir do próximo ano, obrigariam os fabricantes a facilitar a substituição de peças e reparação de monitores e televisores.

Mais concretamente, a associação de eletrodomésticos APPLiA pediu o adiamento, para 2026, da implementação dos novos requisitos de poupança energética das máquinas de lavar roupa e louça e frigoríficos. Embora estes requisitos só entrem em vigor a partir de 2014, os fabricantes estão a tentar empurrá-las para um futuro distante.

Este grupo também solicitou um adiamento de dois anos para a meta europeia de recolha de resíduos elétricos e eletrónicos, que foi estabelecida em 2012 e que deveria ter entrado em vigor já este ano.

Da mesma forma, a Consumer Technology Association quer adiar os requisitos de poupança de energia para os carregadores vendidos na europa, que foram, após longos atrasos, acordados em 2019 e que entraram em vigor a 1 de Abril.

A maioria destas exigências são difíceis de justificar e fundamentar. Seria expectável que os fabricantes já estivessem prontos para cumprir as metas estabelecidas para este ano, e a prepararem-se com tempo para cumprir as leis que entrarão em vigor daqui a alguns anos.

Porém, não devemos subestimar estas ameaças. A fuga de um documento sugere que a Comissão está a considerar adiar as iniciativas que visam dar aos consumidores melhor informação sobre a vida útil dos produtos.

Atrasar os progressos alcançados até agora seria um erro terrível.

Segundo a Comissão Europeia, os novos requisitos de conceção ecológica proporcionarão, só por si, 167 TWh de poupança energética anual até 2030, correspondendo a uma redução de mais de 45 milhões de toneladas de CO2e e a uma poupança de cerca de 150€ por família todos os anos.

É deste tipo de progresso que precisamos para ajudar a recuperar a economia e a intensificar a nossa luta contra as emergências climáticas e ambientais.

Numa carta enviada esta semana à Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi apresentada a nossa posição e esclarecidos os factos. A CLASP, EEB, Coolproducts, ECOS e Right to Repair, juntamente com mais de 200 grupos ecologistas e defensores da reparabilidade, em toda a Europa*, entre eles a Quercus, pediram que a UE rejeite o adiamento de requisitos ambientais, a não ser que os grupos industriais fundamentem adequadamente os seus argumentos. As políticas de conceção ecológica e de etiquetagem energética já sofreram desnecessariamente com longos atrasos.

Como prioridade, os governos e as instituições da UE deveriam estar a reforçar a resiliência dos cidadãos e das indústrias. Qualquer pacote de resgate devia estar condicionado ao cumprimento das metas ambientais e à proteção dos trabalhadores. Esta não é a altura de escolher o interesse de alguns em detrimento das pessoas e do planeta.

Antes da crise da Covid-19, a Europa estabeleceu uma estratégia para combater a nossa economia do desperdício. Agora, mais do que nunca, é preciso acelerar esta transição para reconstruir a economia.


* Mais de 200 ONGs e grupos defensores da reparabilidade aderiram ao nosso apelo, incluindo membros nacionais do EEB e ECOS, bem como grupos pertencentes às campanhas Coolproducts e Right to Repair.


Coolproducts (www.coolproducts.eu) é uma aliança de ONGs que promove a eficiência energética e de recursos através da conceção ecológica e etiquetagem energética. Right to Repair Europe (www.repair.eu) junta grupos ecologistas e defensores da reparabilidade numa campanha por produtos reparáveis e duradouros.

Alguns dos grupos nacionais envolvidos nas campanhas:

Association for Waste Prevention (Áustria); Anstiftung (Alemanha); BUND (Alemanha); Catapa (Bélgica); Cler (França); CLASP (UK); Deutscher Naturschutzring (Alemanha); ECOS (UE); European Environmental Bureau (UE); eReuse (Espanha); Ethikis Ad Civis (França); Fair Danmark (Dinamarca); Free ICT Europe (UE) - Friends of the Earth Norway (Noruega) - Friends of the Eart France (França); Giacimenti Urbani (Itália); Green Alliance (UK); Halte à l’Obsolescence Programmée (França); Ifixit (Alemanha); Inforse (Dinamarca); Legambiente (Itália); Natuur & Milieu (Holanda); Netwerk Bewust Verbruiken (Bélgica); Netzwerk Reparatur-Initiativen (Alemanha); Quercus (Portugal); Repairably (Eslováquia); Repair Café Danmark (Dinamarca); Repair Café International Foundation (Holanda); Repair Café France (França); Repair & Share (Bélgica); Repair Together (Bélgica); Repanet (Áustria); Reparaturnetzwerk Wien (Áustria); Restarters Norway (Noruega); Rreuse (UE); Runder Tisch Reparatur (Alemanha); Sustainability & Design Lab (Noruega); The Restart Project (UK); Zero Waste Poland (Polónia)


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